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Psicólogo Márcio Felix                                                                                                                                                                  

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Escritos

SONHOS


O Inconsciente mantém informações afastadas das mentes dos indivíduos de fatos que muitas vezes causam algum desconforto. No sono, o mecanismo que mantém algum conteúdo indesejado de idéias distante, através do mecanismo da repressão, se enfraquece, permitindo que o que se encontra longe de nosso conhecimento consciente venha à tona durante os sonhos.

O fato de que nem sempre os sonhos são lembrados, ocorre justamente pela deformação que este mecanismo efetua. A censura ao material subtraído da consciência diminui, mas ainda atua sobre ele, deformando e tornando os sonhos incompreensíveis para a maioria.

O sonho também tem a função de manter os indivíduos dormindo o maior tempo possível, de maneira que o descanso não seja prejudicado. Por esse motivo, quando ocorre algo próximo a quem dorme que possa vir a atrapalhar o sono, se esse elemento não acorda de fato o indivíduo, acaba incorporado ao sonho, para que não sejamos interrompidos no ato de dormir.

Quando está chovendo ou ao tocar um telefone, estes fatos podem ser acrescentados ao sonho, para que a pessoa continue a dormir, sonhando com chuva ou que por exemplo recebe uma ligação.

Também quando uma pessoa sonha que já está acordada e que já ter se levando, por exemplo, é uma forma de diminuir a ansiedade de não ter realmente acordado, através de um pensamento como: Bem, já que (no sonho) estou acordado e já me levantei, posso ficar deitado e dormir mais um pouco, então.

FREUD, MONOTEÍSMO, GRADIVA DE JENSEN E UM ESTUDO AUTO-BIOGRÁFICO

Sigmund Freud (Příbor, 6 de maio de 1856 — Londres, 23 de setembro de 1939), criador do Método Psicanalítico, escreveu no ano de 1938 um de seus últimos artigos, intitulado “Moisés e o Monoteísmo”.

Admirador de Charles Darwin e Copérnico, além de ter escrito em suas Obras Psicológicas Completas, capítulo sobre o pintor Leonardo Da Vince, recebeu direta ou indiretamente influência das obras destes pesquisadores.

Quando pequeno, atendia pelo nome Sigismund Schlomo Freud. Filho de Jacob Freud e Amalie Nathanson, resumiu seu nome para Sigmund Freud aos aproximadamente 21 anos de idade. Nesta ocasião, possivelmente, Freud considerando o início de seu período adulto, veio a utilizar a partir de então apenas o sobrenome de seu pai. Este fato, possivelmente ocorreu, por tratar-se da busca de independência de Freud de sua figura materna.

Freud recebeu pela sua capacidade intelectual e habilidade que possuia na elaboração de seus artigos o Prémio Goethe, em 1930.

De origem judaica, talvez percebe-se como sendo uma pessoa de caráter obstinado, identificando-se assim com Moisés, do qual também trata em sua obra. Freud teria se identificado de alguma forma com o Patriarca Judeu Moisés?

Interessado em arqueologia e também na história do povo judaico, Freud publicou o artigo “Delírios e Sonhos na Gradiva de Jensen”, onde fala também sobre a arqueologia, arqueologia que ocorre de maneira semelhante ao método psicanalítico, ao buscar o retorno do conteúdo recalcado abolido pelos pacientes considerados neuróticos. O conteúdo encoberto, como o que ocorre com pirâmides egípcios soterradas pela areia do deserto, vem a tona através da “arqueologia psicanalítica”.

Freud, alguns anos antes de sua morte, escreveu o que achava que seria um de seus últimos artigos, o qual falava sobre o método psicanalítico. Ele, por se considerar de alguma forma, “Patriarca da Psicanálise”, considerava impossível que, Moisés, um homem de certa idade na ocasião que conduziu o Povo de Israel através do deserto, ter vivido tanto tempo até finalizar sua caminhada. Talvez devido ao fato de considerar impossível a longevidade de Moisés, ele tenha achado difícil também que pudesse viver durante longo período de tempo, tendo escrito assim vários anos antes de sua morte o artigo intitulado “Um estudo auto-biográfico”.

PERCEPÇÃO E EMOÇÃO

Um dos primeiros estudiosos a chamar atenção na relação expressão facial X emoção foi Charles Darwin. Darwim percebeu que havia uma relação entre expressão facial e as emoções dos indivíduos.

Depois de Darwin, outros pesquisadores começaram a estudar as emoções. Um deles foi D.O. Hebb, que defendeu a idéias de que a emoção é um estado especial de vigilância, vindo junto a processos que excitem o comportamento. Esse estado pode ser construtivo, fortalecedor, ou, ao contrário, debilitador. A emoção apresenta várias respostas emocionais, como por exemplo o medo e reação de fuga, ou de agressividade, nos processos de raiva.

William James classificou os estados emocionais como consciência de perturbações fisiológicas , desencadeadas pela percepção de estímulos e situações. “ Os estados mentais determinam uma atividade corporal que produzem mudanças na tensão dos músculos, na respiração, na circulação e nas atividades das víceras ou glândulas, mesmo não provocando movimentos visíveis nos músculos dos movimentos voluntários”

Landis defende a teoria que o que importa não seria o padrão facial das respotas ou as modificações orgânicas ocorridas, mas sim a natureza das situações estimulantes e as perturbações provocadas pela emoção.

Harold Scholossberg dividiu as emoções em seis categorias principais: Amor/alegria, surpresa, medo/sofrimento, raiva/decisão, nojo e desprezo, dispondo-as graficamente de maneira a obter melhor entendimento de seu experimento, que constava em mostrar fotografias, para que pessoas classificassem as emoções estampadas nelas.

Ele disse: “... o reconhecimento de expressões emocionais em figuras é mais difícil em condições naturais ou em pessoas reais. Em tais circunstâncias a expressão facial é dinâmica e muda constantemente; é acompanhada por ações, gestos expressivos e mudanças na entonação da voz...”.

Frais-Wittman dividiu a face humana para estudo das reações emocionais em dez pontos, dentre eles as sobrancelhas, pálpebras, bochechas, queixo e lábios. A região da boca é considerada em seus estudos a mais importante na observação das expressões emocionais do rosto. Ekman também realizou estudos com a divisão da face em áreas: fronte-sobrancelhas, olhos pálpebras, boca-face interior. Mas recentemente concluiu-se que as expressões faciais, conforme dito por Scholossberg, são melhor reconhecidas no contato diário entre as pessoas.

As pessoas mais tímidas têm maior dificuldade de verificar as expressões da face do que as extrovertidas, levando-se em conta que pessoas mais introvertidas têm menos contato com as outras pessoas, ao contrário das mais desinibidas, com maior facilidade de relacionamento.

As expressões da face são consideradas universais. O que diferencia é o modo que uma cultura ou outra reage aos acontecimentos. Algo que pode nos deixar alegres em nossa cultura ocidental, pode ter efeito diferente nos países de culturas diferentes.

Ekman dividiu a reação emocional em quatro estágios. O primeiro seria o dos elementos geradores de emoção. O segundo, as reações motoras dos músculos faciais aos acontecimentos. O terceiro estágio é o da intensificação ou não das emoções. Conforme a cultura, as pessoas podem amplificar ainda mais suas formas de expressão, ou disfarçá-las, com intuito de não serem mal percebidas ou julgadas. A quarta e última parte dos estágios é a fase de reação à emoção, que pode vir de maneira verbal, fisiológica ou motora.

Mas a percepção das emoções não se restringe apenas ao nível facial. Fisicamente também nos expressamos. Se a pessoa se encontra fisicamente rígida ou simétrica, pode ser sinal que ela se encontra tensa. O afastamento ou a aproximação física dos demais também pode demonstrar o que sente o indivíduo. É a chamada “linguagem não-verbal”.

QUAL, DENTRE OUTROS, O MOTIVO DE MUITOS HOMENS GOSTAREM DE JOGAR E ASSISTIR FUTEBOL?

O jogar bola seria, além do esporte em si, também uma forma inconsciente de expressão de masculinidade. O fato de caber ao homem, pelo menos classicamente, a parte ativa de um relacionamento sexual, isso teria seu equivalente no jogo de Futebol, pois o jogador age de forma atuante e vigorosa em campo, assim como se comporta também de forma ativa no ato sexual com sua companheira. Os integrantes disputam a bola, assim como os homens buscam e disputam o sexo oposto. A forma atuante de se jogar Futebol teria como um equivalente, de forma simbólica, a sexualidade masculina.Mas por que motivo,muitos homens preferem em determinado momento, deixar suas esposas / namoradas sozinhas e jogar bola com os amigos?

Bem, uma das explicações poderia ser que, além de uma disputa com outros em torno de uma conquista, neste caso, a vitória no jogo, poderíamos considerar também que o grupo de homens reunidos no Futebol, seria uma procura pelos seus semelhantes, como forma necessária de identificação com outros do mesmo sexo, um "Clube do Bolinha". A identificação é um mecanismo necessário na personalidade das pessoas, acontecendo de várias maneiras em nosso dia-a-dia.

O QUE LEVA AS CRIANÇAS PEQUENAS...

Se você já andou de trem ou foi a um parque público, já deve ter observado que as crianças, como forma de brincadeira, ficam girando em torno das barras que os passageiros se seguram nos trens ou dos postes de iluminação dos parques. Mas por que isto acontece?

As crianças em seus anos iniciais se encontram bastante voltadas para si mesmas, e são muito dependentes dos pais ou das pessoas que as criam de várias maneiras: no carinho, na educação, quando vão alimentar-se, etc. O desenvolvimento dos pequenos gira então em torno desses adultos. O ato de ficar girando em volta das barras dos trens ou de postes de luz, seria uma forma simbólica de demonstrar que as crianças se vêem como sendo centro de seu mundo, giram em torno de si, e também a dependência que elas têm em relação aos adultos que as criam, e aos outros de modo geral, para obterem aquilo de que necessitam.

SALÕES DE LEITURA E SALAS DE AULA

Você já reparou que ao irem a um salão de leitura grande, que os primeiros a chegarem sentam-se geralmente nos cantos da sala, perto das paredes, e não no centro do salão?

Isto acontece por que as pessoas que chegam ao salão primeiro por não querer se expor demasiadamente, usam as paredes como um dispositivo de " proteção", um apoio para se sentir mais segura, resguardada diante de um local desconhecido ou estranho. Ficando próximas às paredes, teriam simbolicamente onde se apoiar, sentindo-se seguras.

O mesmo ocorre em salas de aula onde os alunos, que por algum motivo tenham receio de seu professor, ou da aula, sentam-se em grande número na parte de trás da sala, deixando as primeiras fileiras vazias.

ADOLESCÊNCIA

A adolescência é conhecida pelo senso comum como sendo uma fase de dificuldades para as todos. Isto é correto, pois nesta época, os jovens passam a ter maiores responsabilidades, deixando de serem vistos vistos e de se verem como crianças. A conclusão de sua escolha sexual ( se é masculino ou feminino ), a possibilidade de dirigir um automóvel e poder votar ,o ingresso na Universidade ou no mercado de trabalho, são várias mudanças, dentre outras, em um período de tempo bastante curto.

Por estarem entrando em uma fase mais madura, muitas vezes procuram seu espaço de maneira intensa, colocando-se à vezes perante os demais de forma nem sempre necessária. Nesta época é comum os jovens andarem em grupo com outros adolescentes, pois o grupo é uma forma de ficarem juntos de seus iguais.

NORMALIDADE

O que seria considerado normalidade? É o que pensa a maioria? É o estabelecido pela sociedade?

Consideremos os presídios que existem ao redor do mundo. A maioria das pessoas que lá se encontram presas são aquelas que cometeram algum crime.

Poderíamos dizer que o maior grupo de pessoas nestes locais, ou seja, o contingente de presos, seria tido como o "normal", o mais comum nestes lugares, enquanto que os médicos, dentistas e demais funcionários que trabalhem nos presídios, e que lá estão em menor número, não seriam considerados estatisticamente como normais, por se tratarem de minoria?

Ou o normal seria o conjunto de funcionários que não se encontram lá para cumprir uma decisão judicial?

A violência que aumenta constantemente nos centros urbanos, o uso excessivo de álcool, por serem corriqueiros, seriam considerados "normais"?
Por ser bastante moldável, a idéia de normalidade muitas vezes depende do que for pré-estabelecido, do mais comum ou do que é considerado como mais aceito.

O que era moda há cinco, dez anos passados, e que estava em lojas de grife, atualmente seria considerado fora do normal de se usar e talvez causasse até certa estranheza nas ruas.

Segundo o Dicionário Aurélio da Língua Portuguesa, de Aurélio Buarque de Holanda Ferreira, Editora Nova Fronteira, o significado de normal e de sua palavra derivada, norma, é:

"Normal - [Do lat. Normale] Adj. 2g. 1. Que é segundo a norma. 2. Habitual, natural......"

"Norma - [ Do lat. Norma ] S. f. 1. Aquilo que se estabelece como base ou medida para a realização ou a avaliação de alguma coisa.... 2. Princípio, preceito, regra, lei... 3. Modelo, padrão: norma de conduta, de ação..."

A Sociedade constrói padrões que seus integrantes acabam por considerar como sendo os mais corretos, os mais próximos da normalidade. Mas certos padrões, como os de riqueza, beleza, dentre muitos outros são estabelecidos várias vezes de forma irreal. Nem sempre o que foge de certa forma a estes padrões, o diferente, o menos comum, seria mesmo "anormal" Algo que seja diferente da maioria nem sempre estaria incorreto. Os padrões mudam de grupo para grupo, de um lugar para o outro. O que em um bairro pode ocorrer corriqueiramente, pode não acontecer em outro bairro de uma mesma cidade, o que não significa que um dos dois esteja mais correto.

Nem sempre o pré-estabelecido, o mais comum, o que chamamos de normal é algo que realmente se possa considerar como sendo o mais ideal.

Mas devemos levar em conta a existência de uma "faixa de normalidade" até onde podemos considerar algo como sendo normal ou não. Se o que for observado ficar muito além desta "faixa de normalidade", não poderia mais ser considerado como sendo uma situação normal.

E ficamos com uma pergunta: Existiriam pessoas 100% normais?

Citemos o que Hermann Rorschach, um conhecido psiquiatra do início do século XX escreveu em seu livro, intitulado "Psicodiagnóstico". Nele, Rorschach fala sobre o teste psicológico de sua autoria e de mesmo nome, o qual teve a possibilidade de aplicar em inúmeras pessoas. Em certo momento ele comenta sobre qual seria a maneira mais correta de uma pessoa reagir a este teste; da forma mais normal e melhor de dar as respostas ao teste.

E diz:

... Na realidade uma pessoa que reagisse deste modo seria tão normal que passaria dos limites, a ponto de não ser possível na prática considerá-la como normal! Entre meus examinandos não houve um sequer que apresentasse este "resultado normal"... ( RORSCHACH, Hermann. Psicodiagnóstico. São Paulo: Editora Mestre Jou,1967. Página 38.)

SIGMUND FREUD

NEUROSE

A Psicanálise é assunto bastante divulgado nos dias de hoje. Alguns de seus termos como Inconsciente, Neurose e Ego, são usados cotidianamente pelas pessoas, mesmo que nem sempre de forma correta. Ouvimos falar dela em jornais, revistas, filmes, novelas e em outros meios de comunicação. Mas você sabe como se originou a Psicanálise?

Voltemos ao final do Século XIX. Verificamos que a sociedade daquela época era demasiadamente conservadora em relação aos costumes e comportamento dos seus integrantes. Por causa disso, o momento se mostrou propício para que houvesse mudanças que rompessem com o que estava estabelecido até então.

Nessa época ocorreu o florescimento de novas idéias, novos conceitos, novos modos de encarar a maneira de viver e criticar a sociedade instituída, tais como a invenção do cinema, modificações no modo de dançar, um desenvolvimento cada vez maior na tecnologia e nas outras ciências.O método de Sigmund Freud para trabalhar a neurose de seus pacientes foi também fruto daquele tempo.

Freud, como algumas pessoas não sabem, iniciou seus estudos na carreira de médico neurologista, sua formação acadêmica. Mas durante seu trabalho, verificou que certos sintomas apresentados por alguns pacientes não tinham como explicação uma causa física. Em determinados tipos de paralisia por exemplo, em certo casos, toda parte física demonstrava bom funcionamento, mas mesmo assim, esses pacientes não conseguiam andar.

Uma maneira de remover esse tipo de sintoma, utilizada por certos médicos daquele tempo, seria pelo uso da hipnose, fazendo que os pacientes que sofriam desse mal voltassem a se movimentar. Freud começou o tratamento desses e de outros sintomas com o método hipnótico, que de início pareceu ideal, mas se mostrou insuficiente posteriormente. Nem todos podiam e se deixavam hipnotizar. Seus resultados também não demonstravam efeitos duradouros. O método tinha assim curto alcance.
Mas como remover então os sintomas de quem tinha medo de sair de casa, de freqüentar lugares públicos, de cavalos e de viagens de trêm, dentre outros?

No decorrer do contato com seus pacientes, Freud observou que algumas palavras ditas por eles pareciam a princípio estranhas, de difícil compreensão de como teriam surgido, mesmo por quem as pronunciava. De onde elas viriam?

Ele verificou que tais palavras vinham de um lugar onde ficam armazenadas, um lugar fora da consciência, não definido pela ciência até então, o qual Freud chamou de INCONSCIENTE. Este lugar sempre existiu na mente das pessoas; coube a Freud "apenas" identificá-lo.

Verificou no decorrer de seus estudos também que os sonhos, os pequenos esquecimentos que possam ocorrer durante o que é falado, brincadeiras e trocadilhos que fazemos no nosso dia-a-dia, são algumas outras maneiras que o Inconsciente das pessoas encontra para se manifestar.
Mas para o tratamento da neurose dos pacientes, qual seria a importância do Inconsciente se manifestar?

A importância se dá pelo fato do Inconsciente ter informações armazenadas, que foram subtraídas da mente em determinada época da vida das pessoas e guardadas no Inconsciente, afastadas por terem causado desprazer ao indivíduo. No decorrer do tratamento, conversando com seu Analista, o material subtraído vem à tona.
Neste instante, abre-se espaço para uma pergunta:

Já que as informações foram afastadas pela mente do indivíduo por não terem sido consideradas boas, seria ideal que elas voltassem à Consciência da pessoa?
Sim. Quando olhamos em um aparelho de microscópio, um simples inseto pode parecer ameaçador, mas não passa de algo pequeno ampliado várias vezes. Isso também ocorre com os fenômenos da mente.

INFLUÊNCIAS E SEGUIDORES

Sigmund Freud demonstrou interesse, no início de seus trabalhos como médico, pelo estudo da hipnose. Movido por este interesse, ele se dirigiu à França para aprender o método com Charcot, o médico que mais dominava o assunto naquele tempo. Posteriormente Freud traduziu alguns livros de Charcot, o que revelava sua facilidade na escrita também em outras línguas, rendendo-lhe ainda prêmios como escritor.

Posteriormente recebeu influências de outro colega, Josef Breuer, que utilizava a hipnose para aliviar determinados sintomas de pessoas doentes. Depois de algum tempo trabalhando em conjunto, Freud e Breuer se desentenderam do ponto de vista teórico, o que levou Freud a seguir caminho sozinho.

Após o rompimento da parceria de estudos com Breuer, Freud prosseguiu por mais de dez anos sozinho, trocando cartas com outro médico, Wilhelm Fliess, que naquela época acreditava na ligação dos órgãos genitais das pessoas com o aparelho olfativo. Esta ligação realmente existente, mas a nível simbólico, não biológico.
Com o passar dos anos e com o aumento do prestígio do método que criou, a Psicanálise, Freud angariou atenção de vários outros médicos, tais como Carl Abraham, Alfred Adler, Ernest Jones ( que posteriormente seria o autor da biografia do próprio Freud ) Sandor Ferenczi, Otto Rank, Hanns Sachs e Carl G. Jung, este último o primeiro do grupo que não era de origem judaica e o escolhido até certa época por Freud para ser seu sucessor.

Com o início da Segunda Guerra Mundial, Freud foi obrigado a deixar Viena, a cidade onde morou durante muitos anos devido às perseguições que os judeus começaram a sofrer, indo morar por um ano na Inglaterra, onde veio a falecer em 1939.

CRONOLOGIA DA VIDA DE SIGMUND FREUD

1856 - Nasce Sigmund Freud no dia 6 de maio, filho de Jakob Freud e Amalie Nathansohu, em Freiberg, na Morávia.

1859 - A família Freud muda-se para Leipzig.

1860 - A família Freud transfere-se para Viena, na Pefeffergasse.
Emmanuel e Phillip, seus meio-irmãos, emigram para a Inglaterra.

1865 - A família muda para Kaiser Josefstrasse, devido ao nascimento de mais seis crianças.

1866 - Nasce Alexandre Freud, irmão de Sigmund.

1872 - Sigmund Freud passa suas férias em Freiberg, onde se apaixona por Gisela Fluss.

1873 - Sigmund gradua-se com distinção e inscreve-se na Faculdade de Medicina de Viena.

1874 - Freud visita seus irmãos na Inglaterra.

1876 - Passa um breve estágio em Trieste, na Itália, na Estação Zoológica Experimental.

1877 - Ingressa no Instituto de Fisiologia.

1878 - Publica seu primeiro trabalho no Bulletin da Academia de Viena.

1879 - Presta serviço militar em Viena. É condenado a um mês de prisão por faltar ao serviço médico militar.

1881 - Gradua-se médico com a classificação de "excelente". Continua seu trabalho no Instituto de Fisiologia.

1882 - Conhece Martha Bernays.

1882 - Fica oficialmente noivo.

1884 - É nomeado Sekundararzt na Clínica Psiquiátrica de Meynert.
Estuda as propriedades terapêuticas da cocaína.

1885 - É nomeado Privatdocent da Universidade de Viena.
Em outubro viaja para Paris e freqüenta os cursos de Charcot.

1886 - Abre seu primeiro consultório em Viena.
No dia 13 de setembro casa-se com Martha Bernays.

1887 - Nasce sua primeira filha, Matilde.

1889 - Viaja para Nancy, onde frequënta os cursos de Bernheim sobre hipnose.
Nasce seu segundo filho, Jean Martin.

1891 - Nasce seu terceiro filho, Oliver.
Muda-se com a família para a casa da Berggasse 19.
Publica seu primeiro livro, "Afasia".

1892 - Nasce seu quarto filho, Ernest.

1893 - Nasce sua quinta filha, Sophie.

1895 - Nasce sua última filha, Anna. Publica "Estudos sobre a histeria".

1896 - Morre herr Jokob Freud.

1897 - Publica "A sexualidade na etiologia das neuroses".

1899 - Escreve "A interpretação dos sonhos", publicada com a data de 1900.

1901 - Viaja para Roma.

1902 - É nomeado professor.

1904 - Escreve "A psicopatologia da vida cotidiana".

1905 - Escreve "O chiste e sua relação com o inconsciente" e "Três ensaios sobre a teoria da personalidade".

1907 - Encontra Carl Gustav Jung.

1909 - Viaja para os Estados Unidos, juntamente com Jung e Ferenczi, onde pronuncia uma série de conferências.

1910 - Funda a Associação Psicanalítica Internacional, junto com Jung, Abraham, Sachs, Rank, Jones e Ferenczi.

1911 - Primeiras discórdias entre seus seguidores.

1912/1913 - Escreve e publica "Totem e tabu". Briga com Jung.

1914/1918 - Corta definitivamente suas relações com Jung.

Apóia a declaração de guerra da Áustria, que dá início à Primeira Guerra Mundial.

Morre seu irmão Emmanuel.

Martin e Oliver combatem na frente italiana.

1920 - Escreve "Além do princípio do prazer". Morre Sophie Freud.

1921 - Escreve "Psicologia de grupo e análise do ego".

1923 - É atacado por um câncer no maxilar.

Morre Heinerle, seu neto favorito, filho de Sophie.

Escreve "O ego e o id".

1926- Escreve a "Autobiografia"e "Inibição, sintomas e angústia".

1927/1937 - Luta contra o câncer na boca, submetendo-se a 33 intervenções sirúrgicas.

1938 - Deixa Viena por causa das perseguições anti-semitas, encontrando refúgio na Inglaterra.

1939 - Morre Sigmund Freud, no dia 23 de setembro, em Londres.

JACQUES LACAN

O estudo da mente humana possue um grande divisor de águas que foi o Psicanalista austríaco Sigmund Freud . Sua obra sem dúvida alguma tem influência sobre os estudiosos da mente humana até os dias de hoje. Mas Freud, apesar de ter estudado e escrito sobre a Psicose - como "O Caso Schereber", acreditava que aquela não seria tratável através de um processo psicanalítico. O sujeito psicótico não realizaria o mecanismo da transferência, que é algo indispensável em uma tratamento psicanalítico. Este tipo de paciente, por estar em estado bastante regredido em sua vida mental, seria por demais voltado para si mesmo, não conseguindo perceber assim de maneira ideal os demais. Como o mecanismo da transferência é uma relação do paciente com o terapeuta que necessita da percepção correta do outro, estes indivíduos não seriam, a princípio, tratáveis.

Alguns anos mais tarde, Jacques Lacan efetuou uma nova quebra de paradigma com seu estudo sobre a Psicose. Para Lacan, a Psicose tem a possibilidade real de ser tratável em processo psicanalítico, e os pacientes com esta afecção realizam a relação transferêncial, só que de maneira diferente dos neuróticos.

O inconsciente destes pacientes se manifesta de forma maciça, diferente do inconsciente dos neuróticos, que se apresenta através da associação livre, atos falhos, chistes, sonhos. No Psicótico o inconsciente não está submerso, de certa forma escondido em sua mente, como nos neuróticos. Está aflorado em tudo o que a pessoa pensa e faz. Este tipo de paciente tem um pensamento concreto e rígido, diferente do neurótico, que apresenta uma estrutura mais flexível que aquele.

BIBLIOGRAFIA DE JACQUES LACAN

Jacques Lacan
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1964-65 Le Séminaire, livre XII, Problèmes cruciaux pour la psychanalyse, inédito.

1965-66 Le Séminaire, livre XIII, L 'objet de la psychanalyse, inédito.

1966-67 Le Séminaire, livre XIV, La logique du fantasme, inédito.

1967-68 Le Séminaire, livre XV, L 'acte psychanalytique, inédito.

1968-69 Le Séminaire, livre XVI, D 'un Autre à l'autre, inédito.

1969-70 O Seminário, livro 17, O avesso da psicanálise, 1992.

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Televisão, Rio de Janeiro, Jorge Zahar, 1993

DESENVOLVIMENTO PSICO-SEXUAL

Desde o nascimento até a morte, as pessoas vão se desenvolvendo física e mentalmente, passando do momento que se é criança, para a fase da adolescência, posteriormente para a vida adulta, finalmente chegando à velhice. Assim como no desenvolvimento físico e o intelectual, amadurecemos também na esfera psíquica-sexual, evoluindo de fase em fase até o amadurecimento total do sujeito. Em cada uma dessas fases, existe uma fixação em determinada zona erógena, até que finalmente a forma de obtenção de prazer se situa no órgão sexual dos indivíduos. Mas para isso acontecer, precisamos vivenciar outras fases anteriormente, desde criança à adolescência, que segundo Sigmund Freud, são as seguintes:

Fase Oral

Nesta fase, o bebê obtém seu sustento vital/alimentação, através da boca. Neste momento ele não sabe que há uma separação entre o seu corpo e o de sua mãe, achando que tudo é um único corpo só, assim como não diferencia as divisas de seu corpo com o resto do mundo. Quando bebês temos como forma de obtenção de prazer o ato de nos alimentarmos, sendo prazeroso quando sugamos o seio de nossas mães, sendo este sentir de sugar o seio, dentre os outros, a maneira de contato com o mundo, ou seja, através da mucosa bucal. Mais tarde a criança também tem prazer ao morder o que vê pela frente, sendo algo também característico desta fase. A satisfação que as pessoas têm quando adultas em beijarem-se, é decorrente desta época inicial de nossas vidas.

Fase Anal

Nesta fase as crianças têm prazer no ato de prender e/ou evacuar suas fezes. Ela neste instante já diferencia o que é ela (criança) e o que é o mundo externo. O prazer com a mucosa da boca continua existindo, mas prevalece neste momento o prazer ligado à evacuação. Muitas vezes esta fase é dotada de um ritual, onde os pais acompanham e torcem para que seu bebê faça suas necessidades, e para a criança suas fezes seriam como um primeiro presente, sendo dado aos seus pais. A criança pode usar deste ato para controlar seus pais, retendo suas fezes como forma de deixar seus pais preocupados, obtendo assim maior atenção destes. Ou ainda, se a criança, do ponto de vista da mãe, agir corretamente e defecar, receberá um elogio desta, tendo assim um "lucro" por ter defecado, o elogio. Pessoas que na fase adulta são muito avarentas com seu dinheiro, quando crianças têm grandes chances de terem sido controladoras em relação à suas fezes.

Fase Fálica

Tanto o menino quanto a menina neste momento não reconhecem ainda a diferenciação anatômica (genital) entre os sexos, sendo que os dois reconhecem apenas a presença do falo ( pênis + capacidade/poder) como órgão único para os dois sexos. As diferenças genitais são negadas nesta época. Depois de certo tempo, ainda nesta fase, as crianças começam a perceber suas diferenças anatômicas através das observações do dia-a-dia. Psicanaliticamente, o menino, detentor do falo, vai se sentir engrandecido, possuidor de maior potencialidade que a menina, justamente por ter o pênis. Já a menina vai se sentir inferiorizada, pois não possui também este instrumento de poder (falo). Aí entra uma pergunta: Por que geralmente não lembramos bem das fases iniciais de nossas infâncias? Isso se dá por que a percepção da presença ou não do pênis é algo sério na vida de todos, que a partir da conclusão da existência do pênis como apenas um dos órgão sexuais possíveis, a partir de uma castração simbólica efetuada pelos pais, censuramos a maioria das lembranças destas três fases, não nos lembrando muito como era nossa vida antes dos cinco, seis anos de idade.

Período de Latência

A partir deste momento as crianças deixam de lado os interesses sexuais, se preocupando com o mundo de forma geral, com a sua socialização. Diminui aí o interesse pelas questões sexuais, que voltará no período seguinte.

Fase Genital

Aos dez/onze anos de idade, as crianças voltam a demonstrar interesse maior por questões sexuais. A castração simbólica ocorrida durante a Fase Fálica vai agora direcioná-las à procura pelo sexo oposto fora de seus lares de origem. Com o amadurecimento do organismo, que nem sempre é acompanhado por amadurecimento mental, vem a possibilidade dos adolescentes terem relações sexuais de forma efetiva; o que antes ocorria apenas no plano imaginário, agora pode se realizar concretamente, fora apenas de suas imaginações e desejos.

 

FIXAÇÃO EM FASES DO DESENVOLVIMENTO PSICO-SEXUAL

Segundo Sigmund Freud, os problemas emocionais são causados por uma fixação em uma das fases do desenvolvimento psico-sexual situada antes da fase fálica. Sendo geralmente muito difícil que escapemos de tal fixação em alguma dessas fases, todos sofrem, pelo ponto de vista da Psicanálise, de algum problema de ordem emocional. Tais fixações distribuem os seres humanos em três tipos de sujeitos, ou seja, o neurótico, o psicótico e o perverso. Mesmo a pessoa mais bem-resolvida seria portadora, pelo menos, de alguma neurose.

Mas existem problemas emocionais maiores e outros menores. Os problemas emocionais que podem atrapalhar muito as pessoas em seu dia-a-dia são os que a Saúde Mental deve trabalhar, não os que fazem o ser humano viver uma existência emocional com poucas, mas suportáveis atribulações. Quando estão em momentos de maiores crises do ponto de vista emocional, as pessoas podem procurar ajuda em um tratamento psicanalítico, ou, se necessário, em tratamento psicanalítico juntamente a tramento medicamentoso.