Escritos sobre Psicologia - Parte 1

 

Escritos sobre Psicologia, Psicanálise, comportamento humano e outros.

Influência das cores no local de trabalho

 

Dentre os inúmeros estímulos que nos afetam em nosso dia a dia, desde aqueles que chegam às nossas mentes de maneira adequada, até a percepção feita de maneira equivocada da realidade, passando pela intoxicação pela ingestão de álcool, a percepção das cores que chegam às retinas dos indivíduos também influencia em seus psiquismos.


Em um local de trabalho, em ambientes com finalidade operacional, assim como em demais settings de uma organização, devem ser preferencialmente arejados, amplos e iluminados.


As cores de cada mesa, armários ou máquinas de uma organização também podem influenciar no desempenho das tarefas dos colaboradores de uma empresa.


“Não constitui novidade o conhecimento dos efeitos psíquicos que as cores determinam...”


“... A cor vermelha, por exemplo, é conhecida como excitante, causando sensação desagradável, podendo em casos extremos provocar alucinações...”


“... A cor azul, ao contrário, é calmante, sedativa, assim como o verde dos prados. O amarelo pode produzir melancolia, tristeza, bem como o azul escuro e o violeta.” (REIS, 1926)


Em locais que é desejada calma, tranquilidade, o ideal é a utilização de cores suáveis e relaxantes. Nos lugares que se torne necessário uma maior atividade física, como em academias de ginástica, o indicado é que seja utilizado na pintura das paredes e nos materiais de ginástica a alternância de cores vibrantes com cores suaves, de maneira ampliar a disposição dos alunos da academia.


Nos locais de trabalho, em nossas casas e nos ambientes de lazer, as cores escolhidas na ornamentação, assim como vários outros elementos envolvidos, podem determinar a salubridade/insalubridade das atividades que desenvolvemos. ​

Satisfação afetiva, trabalho e lazer


Uma das principais maneiras de se obter satisfação é, sem dúvida, pelo relacionamento afetivo-sexual. Mas a obtenção de prazer, como muitos podem pensar, não é alcançada apenas no ato sexual. Temos a possibilidade de obter satisfação também na maioria de nossas atividades diárias.


Há momentos em que as pessoas, por não estarem satisfeitas em suas vidas sexuais, podem desviar totalmente sua obtenção de prazer pela via sexual para outras finalidades, que não a sexual.


Essa forma de satisfação, sem ser por via sexual, ocorre em uns ou outros momentos da vida das pessoas, em épocas em que o indivíduo encontra-se sem parceira (o), insatisfeito em seu casamento, ou com suas energias voltadas para algum projeto. Pode vir a tirar prazer então, do trabalho, de afazeres domésticos ou de esportes, por exemplo.


Mas se por algum motivo, o indivíduo apenas se dedica ao trabalho, deixando de lado intencionalmente ou não sua satisfação afetiva, a cota de energia que deveria ser descarregada pelo caminho da sexualidade, e que acaba sendo absorvida por outras atividades, nem sempre é toda gasta, fazendo com que a pessoa, mesmo que satisfeita em outros momentos da vida, possa ainda assim vir a sentir falta da satisfação por via sexual.


É comum ouvirmos falar que determinada pessoa tem sucesso profissional, mas que não se dedica com mesmo empenho na área amorosa.


Todos devem buscar satisfação pessoal nos vários campos de nossa existência humana: na área afetiva, no trabalho, na religião, em família, no lazer, etc. As pessoas não se tornam completas se obtém satisfação pessoal apenas em uma de suas atividades. A satisfação é decorrente da soma do prazer obtido em várias situações da vida. Se uma pessoa se dedica exclusivamente ao trabalho, deve repensar por que estaria deixando de lado outros momentos bons de seu dia-a-dia.

Organizações

 

Considerando as conjunturas econômicas e sociais, assim como o avanço tecnológico de cada época, a sociedade encontra-se em constantemente estado de transformação, fato que reflete nas organizações de trabalho.

É comum as organizações se constituírem e se reconstituírem quando se torna necessário a revisão de seus objetivos e processos. Podemos dizer que pelo grau de complexidade e de suas interfaces, uma organização apresenta configuração que se assemelha em alguns casos à de um ser vivo.

Fazendo parte do dia-a-dia dos indivíduos, são sistemas altamente complexos, que se interrelacionam na vida de todos, apresentando normas e níveis hierárquicos em todas suas formas de existir.

Como organizações, podemos considerar a família, o colégio, o clube, a igreja, assim como o lugar onde trabalhamos. As organizações voltadas para a geração de bens e produtos também funcionam como espaço de troca social, onde seus integrantes se inter-relacionam durante o período onde nelas se encontram. O homem moderno passa a maior parte de seu tempo em organizações, das quais depende para nascer, viver, aprender, trabalhar, ganhar seu salário, curar suas doenças, obter os produtos e serviços de que necessita etc (CHIAVENATO 2003).

Para seu devido funcionamento, uma organização necessita que seus integrantes se comuniquem entre si, com disposição para atuarem em conjunto e a finalidade de atingirem algum objetivo.

 
Neurose

 

Voltemos ao final do Século XIX, época que Sigmund Freud iniciou seus estudos da Psicanálise. Verificamos que a sociedade daquela época era demasiadamente conservadora em relação aos costumes e comportamento dos seus integrantes. Por causa disso, o momento se mostrou propício para que houvesse mudanças que rompessem com o que estava estabelecido até então. O método de Sigmund Freud para trabalhar a neurose de seus pacientes foi também fruto daquele tempo.

Durante seu trabalho como médico, verificou que certos sintomas apresentados por alguns pacientes não tinham como explicação uma causa física. Em determinados tipos de paralisia por exemplo, em certo casos, toda parte física demonstrava bom funcionamento, mas mesmo assim, esses pacientes não conseguiam andar.

Freud começou o tratamento desses e de outros sintomas com o método hipnótico, que de início pareceu ideal, mas se mostrou insuficiente com o passar do tempo. Nem todos podiam e se deixavam hipnotizar. Seus resultados também não demonstravam efeitos duradouros. O método tinha assim curto alcance.
 

No decorrer do contato com seus pacientes, Freud observou que algumas palavras ditas por eles pareciam a princípio estranhas, de difícil compreensão de como teriam surgido, mesmo por quem as pronunciava. De onde elas viriam?

Ele verificou que tais palavras vinham de um lugar onde ficam armazenadas, um lugar fora da consciência, não definido pela ciência até então, o qual Freud chamou de INCONSCIENTE. Este lugar sempre existiu na mente das pessoas; coube a Freud "apenas" identificá-lo.

A importância se dá pelo fato do Inconsciente ter informações armazenadas, que foram subtraídas da mente em determinada época da vida das pessoas e guardadas no Inconsciente, afastadas por terem causado desprazer ao indivíduo. No decorrer do tratamento, conversando com seu Analista, o material subtraído vem à tona.​

Ganho secundário com a doença


Há ocasiões em que os indivíduos apresentam sofrimento psíquico mas não têm interesse em buscar sua melhora. Isso ocorre pois o ganho que possuem por estarem doentes é maior do que se fossem felizes emocionalmente.

 

Esta afirmação é estranha a princípio, mas muitos acabam se encontrando desta forma.

 

Digamos que um indivíduo venha a adoecer de uma febre de longa duração, dependendo assim de outras pessoas de sua família. Ele demonstra interesse em se recuperar, mas a febre se prolonga por muito tempo, sem motivo aparente.

 

Nesse caso o estado febril pode estar sendo mantido pelo paciente, pois ao receber a atenção de que necessitava não teria interesse inconsciente em sua própria recuperação, de forma que continue assim a ter os cuidados que não teria, se deixasse de ter febre.

 

Nos casos de fobia em que a pessoa tem medo de sair às ruas desacompanhada ou algum receio de andar sozinho de elevador, trata-se de um medo que realmente existe, causador de danos à vida do indivíduo. Mas o fato de também necessitar da companhia de outros para sair e executar suas atividades, obtendo acolhimento e cuidados, não deve ser descartado.

 

Problemas de ordem emocional podem gerar um grande mal-estar para quem os possui, mas a recuperação se torna mais delicada se junto desse sofrimento ocorre algum ganho secundário, por maior que seja o sofrimento vivido.

Fases de desenvolvimento psicosexual

 

Desde o nascimento até a morte, os indivíduos vão se desenvolvendo física e mentalmente, amadurecendo também na esfera psíquica-sexual, evoluindo de fase em fase até o amadurecimento total do sujeito. Estas fases são

 

Fase Oral

Nesta fase, o bebê obtém seu sustento vital/alimentação, através da boca. Neste momento ele não sabe que há uma separação entre o seu corpo e o de sua mãe, achando que tudo é um único corpo só, assim como não diferencia os limites de seu corpo com o resto do mundo. Quando bebês temos como forma de obtenção de prazer o ato de nos alimentarmos, sendo prazeroso quando sugamos o seio de nossas mães, sendo este sentir de sugar o seio, dentre os outros, a maneira de contato com o mundo, ou seja, através da mucosa bucal.

Fase Anal

Neste momento de vida as crianças têm prazer no ato de prender e/ou evacuar suas fezes. Elas neste instante já diferenciam o que é a criança e o que é o mundo externo. O prazer com a mucosa da boca continua existindo, mas prevalece neste momento o prazer ligado à evacuação.


Fase Fálica

Tanto o menino quanto a menina neste momento não reconhecem ainda a diferenciação anatômica (genital) entre os sexos. Psicanaliticamente, o menino, detentor do falo, vai se sentir engrandecido, possuidor de maiores possibilidades de atuação perante o mundo do que a menina, justamente por ter o pênis. Já a menina vai se sentir inferiorizada, pois não possui também este instrumento de poder (falo).

Período de Latência

A partir deste momento, as crianças deixam de lado os interesses sexuais, se preocupando com o mundo de forma geral, com a sua socialização. Diminui aí o interesse pelas questões sexuais, que voltará no período seguinte.

Fase Genital

Aos dez/onze anos de idade, as crianças voltam a demonstrar interesse maior por questões sexuais. A castração simbólica ocorrida durante a Fase Fálica vai agora direcioná-las à procura pelo sexo oposto fora de seus lares de origem.

Melanie Klein e a análise de crianças

 

Anteriormente à obra da psicanalista austríaca Melanie Klein, havia o pressuposto de que as crianças não poderiam passar pelo processo psicanalítico, pois não possuiriam estrutura suficiente para suportar as angústias advindas de uma análise. Não existira a relação transferencial necessária por parte da criança com seu terapeuta, o que é imprescindível em um processo terapêutico. Outro pressuposto era o de que a criança não faria a projeção de situações passadas para o analista, impossibilitando assim a terapia.

 

E ainda, muitas das vezes não era considerado o que os pequenos relatavam, dando-se maior atenção ao discurso dos pais.

 

Mas a obra Kleiniana possibilitou a percepção de que as crianças poderiam realizar projeções e transferências para o terapeuta, através de processos lúdicos, ou seja, através de brincadeiras infantis que podem ser utilizadas no momento da análise. Uma menina pode projetar determinada situação através do que fala ao brincar de boneca durante a terapia, ou um menino pode exteriorizar a raiva que sente por um dos genitores, através da expressão do que sente utilizando brinquedos.

Geração Y


A chamada Geração Y é aquela composta pelas pessoas nascidas após a década de 1980, até meados dos anos 1990. Esta geração busca não apenas segurança dentro de seu emprego, mas também gratificação nas tarefas que desenvolvem, mesmo que para isso venham a receber menores salários. Considerando isso, em alguns momentos, são empregados difíceis de se reter dentro de uma Organização.

Os jovens da Geração Y buscam seus objetivos de maneira imediata, utilizando da tecnologia e da educação formal para o atingimento de suas metas pessoais e profissionais, podendo realizar ainda inúmeras atribuições concomitantemente. Diferente da geração de seus pais, a Geração Y busca sua liberdade de atuação e expressão.

 

Dentro de uma empresa, os gestores devem utilizar técnicas comportamentais para adequar os colaboradores da Geração Y, assim como demais novos empregados às tarefas na empresa. Competências pessoais como facilidade de relacionamento interpessoal, liderança, facilidade de comunicação são indispensáveis para qualquer colaborador de uma organização, aliadas à capacitação técnica.

Normalidade

 

O que seria considerado normalidade? É o que pensa a maioria? É o estabelecido pela sociedade?

A violência que aumenta constantemente nos centros urbanos, o uso excessivo de álcool, por serem corriqueiros, seriam considerados "normais"?
Por ser bastante moldável, a ideia de normalidade muitas vezes trata-se de algo que foi pré-estabelecido, do que é mais comum ou do que é considerado como mais aceito.

O que era moda há cinco, dez anos passados, e que estava em lojas de grife, atualmente seria considerado fora do normal de se usar e talvez causasse até certa estranheza nas ruas.
 

Nem sempre o que foge de certa forma a padrões pré-estabelecidos seria mesmo “anormal". Algo que seja diferente da maioria nem sempre está incorreto. O que em um bairro pode ocorrer corriqueiramente, pode não acontecer em outro bairro de uma mesma cidade, o que não significa que um dos dois esteja mais correto.

Mas devemos levar em conta a existência de uma "faixa de normalidade" até onde podemos considerar algo como sendo normal ou não. Se o que for observado ficar muito além desta "faixa de normalidade", não poderia mais ser considerado como sendo uma situação normal.

E ficamos com uma pergunta: Existiriam pessoas 100% normais?

Citemos o que Hermann Rorschach, conhecido Psiquiatra do início do século XX escreveu em seu livro, intitulado "Psicodiagnóstico". Nele, Rorschach fala sobre o teste de avaliação da personalidade de sua autoria e de mesmo nome, o qual teve a possibilidade de aplicar em inúmeras pessoas. Em certo momento ele comenta sobre qual seria a maneira mais correta de uma pessoa reagir a este teste; da forma mais normal e melhor de dar as respostas a ele.

 

E diz:

... Na realidade, uma pessoa que reagisse deste modo seria tão normal que passaria dos limites, a ponto de não ser possível na prática considerá-la como normal! Entre meus examinandos não houve um sequer que apresentasse este "resultado normal"... (RORSCHACH, Hermann. Psicodiagnóstico. São Paulo: Editora Mestre Jou,1967. Página 38.)