Escritos sobre Psicologia - Parte 2

 

Escritos sobre Psicologia, Psicanálise, comportamento humano e outros.

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Sonhos


O Inconsciente humano mantém informações afastadas da mente dos indivíduos de fatos que muitas vezes causam algum desconforto ao sujeito. Durante o sono, há um mecanismo de repressão que mantém o conteúdo de ideias indesejadas distante, mecanismo este que se enfraquece, permitindo que o que se encontra longe de nossa consciência venha à tona no momento do sonho.

O fato de que nem sempre os sonhos são lembrados ocorre justamente pela deformação que este mecanismo efetua. A censura ao material subtraído da consciência diminui durante o ato de dormir, mas ainda atua sobre ele, deformando e tornando os sonhos difíceis de serem compreendidos para a maioria.

O sonho também tem a função de manter os indivíduos dormindo o maior tempo possível, de maneira que o descanso não seja prejudicado. Por esse motivo, quando uma pessoa dorme e ocorre algo próximo a quem está dormindo que possa vir a atrapalhar seu sono, se esse elemento não acorda de fato o indivíduo, acaba sendo incorporado ao sonho, para que não sejamos interrompidos no momento em que dormimos.

Ao dormir, quando está chovendo de fato ou ao tocar um telefone, estes elementos podem ser incorporados ao sonho para que esta pessoa continue a dormir, sonhando então com a ocorrência de chuva ou que por exemplo, que está recebendo uma ligação telefônica.

Também quando uma pessoa sonha que já está acordada e que se levantou da cama por exemplo, é uma forma de diminuir a ansiedade de não ter realmente acordado ainda, através de um pensamento como: Bem, levando em conta que (no sonho) estou acordado e já me levantei, posso ficar deitado e dormir mais um pouco, então.

Sigmund Freud

 

Sigmund Freud, médico neurologista e criador do método psicanalítico, demonstrou interesse no início de seus trabalhos pelo estudo da hipnose. Movido por este interesse, ele se dirigiu à França para aprender o método com Jean-Martin Charcot, médico que mais dominava o assunto naquele tempo. Posteriormente, Freud traduziria alguns livros de Charcot, fato que revelava a facilidade de Freud na escrita, não só em seu idioma natal, mas também em outras línguas, rendendo-lhe desta forma vários prêmios como escritor.

Posteriormente, recebeu influências de outro colega médico, Josef Breuer, que utilizava a hipnose para alívio de sintomas de pessoas que se encontravam doentes, muitas vezes com sintomas aparentemente inexplicáveis. Depois de algum tempo trabalhando juntos, Freud e Breuer se desentenderam do ponto de vista teórico, o que levou Freud a seguir caminho sozinho.

Após o rompimento da parceria de trabalho com Breuer, Freud prosseguiu por mais de dez anos sozinho, trocando nesta ocasião cartas com outro médico, Wilhelm Fliess, que naquela época acreditava na ligação dos órgãos genitais dos indivíduos com o aparelho olfativo humano. Esta correlação realmente existente, mas de maneira simbólica, não do ponto de vista físico.

Com o passar dos anos e com o aumento do prestígio do método da psicanálise que criou, Freud angariou atenção de vários outros médicos, tais como Carl Abraham, Alfred Adler, Ernest Jones ( que posteriormente seria o autor da biografia do próprio Freud ) Sandor Ferenczi, Otto Rank, Hanns Sachs e Carl Gustav Jung, este último o primeiro do grupo que não tinha origem judaica e o escolhido até certo tempo por Freud para ser seu sucessor.

Com o início da Segunda Guerra Mundial, Freud foi obrigado a deixar Viena, a cidade onde morou durante muitos anos, devido às perseguições que os judeus começaram a sofrer, indo morar por um ano na Inglaterra, onde veio a falecer em 1939.

Qual, dentre outros, o motivo de muitos homens gostarem de jogar e assistir futebol

 

Podemos dizer que o ato de jogar Futebol trata-se, além da atividade esportiva em si, da manifestação inconsciente da masculinidade de seus jogadores. A maneira ativa que o homem geralmente atua no momento do ato sexual teria seu equivalente no jogo de Futebol. Neste caso o jogador age de forma atuante em campo, assim como geralmente os homens se comportam de maneira ativa durante o ato sexual com suas companheiras.

 

Os participantes do jogo disputam a bola, assim como os homens buscam e disputam o sexo oposto. Mas por que motivo muitos homens preferem em determinado momento deixar suas companheiras sozinhas e jogar bola com os amigos?

Bem, uma das explicações poderia ser que, além de uma disputa com outros em torno de uma conquista, neste caso, a vitória no jogo, poderíamos considerar também que o grupo de homens reunidos no Futebol seria uma procura pelos seus semelhantes, como forma de identificação com outros do mesmo sexo, um "Clube do Bolinha". A identificação é um mecanismo necessário na personalidade das pessoas, acontecendo de várias maneiras em nosso dia a dia.

O que leva as crianças pequenas ...


Se você já andou de trem ou foi a um parque público já deve ter observado que as crianças, como forma de brincadeira, ficam girando em torno das barras que os passageiros se seguram nos trens ou dos postes de iluminação dos parques. Mas por que isto acontece?

As crianças em seus anos iniciais encontram-se bastante voltadas para si mesmas, e são muito dependentes dos pais ou das pessoas que as criam de várias maneiras: no carinho, na educação, quando vão alimentar-se, etc. O desenvolvimento dos pequenos gira então em torno desses adultos.

 

O ato de ficar girando em volta das barras dos trens ou de postes de luz seria uma forma simbólica de demonstrar que as crianças se veem como sendo centro de seu mundo, giram em torno de si, e também a dependência que elas têm em relação aos adultos que as criam, e aos outros de um modo em geral, para obterem aquilo de que necessitam.

Adolescência

 

A adolescência é conhecida pelo senso comum como sendo uma fase de dificuldades para todos. Isto é correto, pois nesta época, os jovens passam a ter maiores responsabilidades, deixando de serem vistos e de se verem como crianças. A conclusão de sua escolha sexual (se é masculino ou feminino), a possibilidade de dirigir um automóvel e poder votar, o ingresso na Universidade ou no mercado de trabalho, são várias mudanças, dentre outras, em um período de tempo bastante curto.

Por estarem entrando em uma fase mais madura, muitas vezes procuram seu espaço de maneira intensa, colocando-se às vezes perante os demais de forma mais intensa que necessário. Nesta época é comum os jovens andarem em grupo com outros adolescentes, pois o grupo é uma forma de ficarem juntos aos que lhes são iguais.

Jacques Lacan

 

O estudo da mente humana possui um grande divisor de águas que foi o trabalho do psicanalista austríaco Sigmund Freud. Sua obra sem dúvida alguma tem influência sobre os estudiosos da mente humana até os dias de hoje. Mas Freud, apesar de ter estudado e escrito sobre a Psicose, como no "Caso Schereber", acreditava que a psicose não seria tratável através do processo psicanalítico. O sujeito psicótico não realizaria o mecanismo da transferência, que é algo indispensável a um tratamento psicanalítico. Este paciente, por encontrar-se em estado mais regredido em sua vida mental, seria por demais voltado para si mesmo, não conseguindo perceber assim de maneira ideal os demais. Como o mecanismo da transferência ocorre através da relação do paciente com o terapeuta, que necessita da percepção correta do outro, estes indivíduos não seriam, a princípio, tratáveis.

Alguns anos mais tarde, Jacques Lacan efetuou uma nova quebra de paradigma com seu estudo sobre a psicose. Para Lacan, a Psicose tem a possibilidade real de ser tratada em processo psicanalítico, e os pacientes com esta afecção realizam sim a relação transferencial, só que de maneira diferente dos neuróticos.

O inconsciente destes pacientes se manifesta de forma diferente do inconsciente dos neuróticos, onde nestes se apresenta através da associação livre, atos falhos, chistes e sonhos. No Psicótico, o inconsciente não está submerso, de certa forma escondido em sua mente, como nos neuróticos. Está aflorado em tudo o que a pessoa pensa e faz. Este tipo de paciente apresenta seu pensamento de maneira concreta e rígida, diferente do neurótico, que apresenta uma estrutura mais flexível que aquele. 

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Percepção e emoção

 

Um dos primeiros estudiosos a chamar atenção na relação expressão facial X emoção foi Charles Darwin. Darwin percebeu que havia uma relação entre expressão facial e as emoções dos indivíduos.

Após Darwin, outros pesquisadores também estudaram as emoções. Um deles, William James, classificou os estados emocionais como sendo a “consciência de perturbações fisiológicas”, desencadeadas pela percepção de estímulos e situações. “Os estados mentais determinam uma atividade corporal que produzem mudanças na tensão dos músculos, na respiração, na circulação e nas atividades das vísceras ou glândulas, mesmo não provocando movimentos visíveis nos músculos dos movimentos voluntários”

Harold Scholossberg dividiu as emoções em seis categorias principais: Amor/alegria, surpresa, medo/sofrimento, raiva/decisão, nojo e desprezo, dispondo-as graficamente de maneira a obter melhor entendimento de seu experimento, que constava em mostrar fotografias, para que pessoas classificassem as emoções estampadas nelas.

Paul Ekman realizou estudos com a divisão da face em áreas: fronte-sobrancelhas, olhos pálpebras, boca-face interior. Mas recentemente concluiu-se que as expressões faciais, conforme dito por Scholossberg, são reconhecidas mais facilmente no contato diário entre as pessoas.

As pessoas introvertidas têm maior dificuldade de verificar as expressões da face do que as extrovertidas, levando-se em conta que pessoas mais retraídas têm menos contato com outras pessoas, ao contrário das mais desinibidas, com maior facilidade de relacionamento.

As expressões da face são consideradas universais. O que diferencia é o modo que uma cultura ou outra reage aos acontecimentos. Algo que pode deixar uma pessoa alegre em nossa cultura ocidental, pode ter efeito diferente em países de culturas diferentes.

Salões de leitura e salas de aula

 

Você já reparou que ao estarem em um salão de leitura espaçoso, que os primeiros a chegarem sentam-se geralmente nos cantos da sala, perto das paredes, e não no centro do salão?

Isto acontece por que as pessoas que chegam ao salão primeiro por não querererem se expor demasiadamente, usam as paredes como um dispositivo de " proteção", um apoio para se sentir mais segura, resguardada diante de um local desconhecido ou estranho. Ficando próximas às paredes, teriam simbolicamente onde se apoiar, sentindo-se seguras, não se sentindo expostas ao invés, por estarem no centro do salão.

O mesmo ocorre em salas de aula onde os alunos, que por algum motivo tenham receio de seu professor, ou da aula que será proferida, sentam-se em grande número na parte de trás da sala, deixando as primeiras fileiras vazias.